Na semana passada a China fez um grandioso desfile militar na comemoração dos 80 anos de sua vitória contra o Japão na segunda guerra mundial.
Um evento com grande repercussão mundial, pela presença de convidados / parceiros da China, e pelo alinhamento, lado a lado para fotos e filmagens, de Xi Jinping, Vladmir Putin e Kim Jon Un. Uma união que fala muito sobre o momento que vivemos: a aliança certamente foi muito estudada por Xi e comemorada por Putin e Jon Un pela posição que o trio assume, com máxima clareza, de oposição aos Estados Unidos. Provavelmente as três maiores ditaduras, em duração, população subjugada, dureza do regime, representatividade mundial e por serem detentores de armas atômicas.
A Índia e os ‘CRINK’
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, esteve presente na véspera da exibição militar, deixou-se fotografar com a capa de uma conhecida revista, uma provocação a Trump. Certamente, parte de uma estratégia diferente, em que a intenção seria a de gerar um alerta, uma vez que retornou a seu país no mesmo dia. Assim, demonstrou não fazer, ao menos por enquanto, parte da aliança de ditadores. Cabe ressaltar que Índia e China têm suas diferenças e são concorrentes em várias áreas, sendo bastante possível uma reaproximação com Washington.
Independente da decisão de Modi, no entanto, os três ditadores estão felizes pelo reforço da aliança e pelo confronto a Trump. Os chefes dos regimes Russo e Norte-Coreano ainda comemoram as benesses financeiras e comerciais que terão com a China.
A aproximação desses países já rendeu, há algum tempo, um novo anagrama: CRINK, significando a parceria de China, Rússia, Índia (ou Irã) e Coréia do Norte (NK em inglês).
Trump
Do outro lado do globo, o presidente Donald Trump manifestou-se em sua rede social, com sua típica acidez, referindo-se aos três chefes ditatoriais e uma provável trama contra os Estados Unidos. Logo após essa manifestação, Trump anunciou a renomeação do Departamento de Defesa para Departamento de Guerra, dizendo ser mais adequada aos tempos que vivemos.
Uma resposta inesperada de Trump, mas que certamente indica um novo nível nas relações internacionais envolvendo as superpotências, que poderá aumentar as tensões geopolíticas e alterar o equilíbrio de forças.
Reflexo na bolsa chinesa e os novos blocos
Também após o desfile, uma surpreendente queda nas ações de empresas do segmento de defesa da China, provavelmente por uma certa decepção em relação ao porte do desfile militar e frustração com a expectativa gerada pelo próprio governo de Xi Jinping. Tal queda pode ser estendida a toda a bolsa, caso o afastamento dos Estados Unidos se confirme.
Claramente acentua-se a divisão mundial em dois blocos, com Estados Unidos e China liderando cada um deles. Uma nova ‘guerra-fria’ parece estar sendo iniciada, e a China deverá ser seriamente afetada. Haverá um menor comércio entre os dois países, com a China em desvantagem: se a economia comunista já dá sinais de exaustão, com menores compras americanas isso deverá se acentuar. Nos Estados Unidos, uma interrupção das compras de produtos da China deve levar a um aumento da inflação, ou a uma resistência em sua queda. Ainda assim, o país e sua economia sofrerão menos.
A posição do Brasil
Sob Lula, temos nos afastado cada vez mais dos americanos, cumprindo uma agenda que agrada aos asiáticos. Desta vez, no entanto, fomos representados apenas pelo chanceler não-oficial Celso Amorim. Seja pela pressão feita a Nicolas Maduro, pelas dificuldades com o congresso ou para não arriscar ainda mais sanções por Trump, Lula permaneceu no Brasil. O que, no entanto, não reaproxima o país do lado da democracia: Amorim conversou com os chineses para reforçar laços militares e a estratégia foi de não gerar novas provocações.
Ao menos até uma eventual queda do regime de Nicolas Maduro, apoiado pelos chefes da esquerda mundial e em especial por Jinping e Putin, o Brasil estará alinhado a essas ditaduras. Certamente veremos um maior risco de novas sanções e redução drástica do PIB. A proximidade das eleições, os esforços do STF em calar a oposição mais próxima a Bolsonaro, a busca de reeleição por Lula, com o mais do que certo uso de verbas públicas com fins eleitorais (ainda que já não tenhamos verbas disponíveis) são peças que definirão o rumo do país. Risco de inflação, aumento da polarização política e insegurança jurídica são situações que permanecerão presentes por mais tempo em nossa rotina.
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