O Banco Central anunciou o fim do DREX como o conhecíamos. Um anúncio que chegou pela mídia de forma confusa, mas que traz boas notícias.
Há meses publicamos um artigo neste blog falando sobre os riscos de ter uma moeda digital comandada pelo Banco Central, ou seja, com controle total do governo. Dessa forma, dependendo do mandatário e de sua inclinação política, o governo poderia direcionar de forma perigosa a forma com que os cidadãos teriam acesso a seus recursos e o destino dado a eles, sob essa possível moeda digital.
Os motivos
Mas pelo que foi divulgado neste início de novembro, o Banco Central decidiu que o sistema que cuidaria do DREX está sendo desligada por não atender a critérios de privacidade e pelo elevado custo de manutenção de uma plataforma estatal sob a tecnologia blockchain.
Ao que tudo indica, no entanto, um fator importante na decisão também foi o choque entre conceitos que não convivem entre si e que faziam parte do projeto como havia sido inicialmente concebido: a privacidade absoluta e o governo como controlador de tudo. Na rede blockchain, a privacidade é garantida exatamente por não haver controle central e por uma tokenização que ao mesmo tempo em que identifica determinado usuário, também lhe garante a privacidade. Com o controle central isso não seria possível.
Fim ou recomeço
Embora tenha soado como um abandono do projeto, o BACEN pretende retomá-lo em 2026, com um redirecionamento para aproveitar o aprendizado obtido com a tecnologia blockchain. Ainda que não esteja clara a forma isso deve se dar e o real direcionamento que o projeto pode ter, aparentemente ele estará restrito ao uso institucional dentro do mercado financeiro, e não mais terá potencial para uma adoção futura como moeda corrente digital.
Conclusão
Trata-se, portanto, de uma notícia que traz um alívio no sentido de manter o mercado e toda a população livre de um controle central totalitário, que poderia levar a poderes infinitos ao estado e acabar com qualquer liberdade econômica dos cidadãos.
Mas com os sucessivos avanços na ‘parceria’ entre executivo e judiciário e seu constante desejo de controle total dos rumos do país, que incluem, com especial atenção, a arrecadação de impostos, todo cuidado é pouco. Devemos, portanto, nos manter alertas aos novos rumos do DREX e decisões que possam colocar mais poder nas mãos daqueles que já detém o controle da economia.








