Até recentemente, China e Rússia teciam uma rede de influência na América Latina, em grande parte por meio de parcerias com os governos de esquerda da região.
Apenas no continente, o gigante asiático vem injetando cerca de US$ 100 bilhões em empréstimos lastreados em petróleo da Venezuela e expandindo seu alcance a áreas de interesse na região acobertados pela “Belt and Road Initiative”. Moscou, por sua vez, encontrava em Caracas um aliado fiel, fornecendo suporte militar e econômico em meio a sanções ocidentais.
A Venezuela
O regime corrupto de Nicolás Maduro servia perfeitamente a essas potências como um hub de negócios e difusão da “revolução”. Ligações documentadas com o Irã facilitavam redes de Hezbollah e até Hamas na região, enquanto cartéis mexicanos usavam rotas venezuelanas para tráfico de drogas, criando um eixo de instabilidade que ameaçava a hegemonia americana e a segurança hemisférica.
Uma combinação de fatores comandados por inimigos dos americanos que chegou a um ponto que não poderia ser mais aceito. E a partir daí essas relações começaram a ruir com ações decisivas da administração Trump, que culminaram na captura de Nicolás Maduro em 03 de janeiro de 2026.
Uma impressionante operação militar em Caracas - inesperada, furtiva, cirúrgica e altamente bem-sucedida, retirou do território venezuelano o ditador e sua esposa, marcando o ponto de virada para as relações entre o país latino-americano e os aliados orientais.
A Venezuela, que nas últimas duas décadas passou a ser um dos pilares do Foro de São Paulo, agora está nas mãos dos Estados Unidos. Uma vitória de Trump sobre Xi Jinping e Vladimir Putin – pelo menos até o momento. O ex-líder ‘chavista’ enfrenta acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e de armas aos Estados Unidos.
A ampla ação americana
Estrategicamente, o governo Trump decidiu por manter a vice de Maduro, Delcy Rodríguez, no poder, acompanhada de perto no cumprimento de exigências que incluem a entrega da produção de petróleo aos americanos, como forma de compensação pela expatriação de companhias americanas que tinham contrato com os venezuelanos, e a libertação imediata de cerca de 800 presos políticos do regime de Maduro. Delcy Rodrigues vem colaborando, com a promessa de romper laços com Moscou, Pequim e Teerã e a soltura dos oposicionistas.
Paralelamente, Washington intensificou a pressão econômica: apreensões de petroleiros sancionados, como o Bella 1, de bandeira russa no Atlântico Norte, e outros quatro navios da "frota fantasma" ligada à Venezuela, visam sufocar o financiamento de regimes hostis. Essas operações, que incluem o petroleiro Olina, sinalizam uma escalada rara na aplicação de sanções, com a Guarda Costeira dos EUA perseguindo embarcações por semanas para desmantelar redes de evasão.
Esse ímpeto se estende à América Latina, onde os EUA apoiam abertamente governos de direita, como na Argentina, Honduras (evitando alegada possibilidade de fraudes pelo governo atual, de esquerda) e “avisos” ao presidente Gustavo Petro, da Colômbia, que terá eleições em breve.
No Atlântico, novas relações com OTAN e a União Europeia ganham contornos pragmáticos: Trump estabeleceu um prazo até 2027 para uma OTAN liderada pela Europa, pressionando aliados a aumentarem contribuições, enquanto uma ordem executiva retira os EUA de mais de 60 organizações internacionais contrárias aos interesses americanos, priorizando soberania sobre multilateralismo excessivo.
A reedição da “Doutrina Monroe”
Todos esses movimentos têm um objetivo claro: reduzir a influência oriental, especialmente da China, no continente. E isso tem provocado, até aqui, uma importante redução de sua relevância política. A doutrina "Donroe" (híbrido de Trump e Monroe) visa explicitamente reduzir a presença russa e chinesa no Caribe e além, revertendo anos de expansão que incluíam colaborações com autocracias locais.
Os efeitos no Brasil
Para o Brasil, essas mudanças trazem implicações profundas, especialmente com a aproximação das eleições de 2026. O reequilíbrio de forças favorece a direita, contrapõe as narrativas pró-China e fragiliza a esquerda não apenas no Brasil. Lula, que já vem sofrendo com casos de corrupção em que está fortemente envolvido, enfrentará um eleitorado mais sensível a essa e outras questões com as quais a esquerda não tem sabido resolver (ou não tem interesse).
Resta saber se o presidente brasileiro, em busca de reeleição, irá ainda mais fundo na degradação das contas públicas - já combalidas pela irresponsabilidade fiscal e pela corrupção – com novas decisões assistencialistas para resgatar alguma popularidade. A manutenção do “sistema” político brasileiro tem sido capaz de colocar em prática as mais impensadas estratégias e ações, e não podemos duvidar de sua capacidade de autoproteção.
Conclusão
De qualquer forma, o jogo em curso no tabuleiro global tem reforçado os Estados Unidos como polo de estabilidade e crescimento. E, diferente do Brasil, em que decisões são tomadas apenas visando a manutenção do poder e de interesses pessoais, os americanos têm um plano estratégico para o país, bem definido e claro, em que os interesses da nação estão acima de tudo.
Trump trabalha para garantir sua implementação e tem sido bem sucedido até aqui. A tendência é de que siga dessa forma e mantenha a hegemonia por um longo tempo.
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